Uma vida que guardei

Vai ali, abre aquela gaveta. Lá deixei alguns planos que incluem você. Eu guardei todos teus beijos, especialmente os últimos, antes de toda essa distância nos separar. Eu guardei todo o amor prometido, que ainda vou te dar. Quando eu voltar, vou dizer que quero aqueles livros que deixei contigo, tudo desculpa. Fica com eles, eu sei que serão nossos mesmo. Eu sei que vão pertencer a mesma estante, da mesma casa que vamos viver. Quando eu cair nos teus braços mais uma vez, não me solta, não me deixa ir, não diz que sente minha falta, só me prende e me faz ficar.

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Falta de ar

Ela está lá, dentro do carro, de passageira, observando aquele bairro estranho que nem sabia que existia. E do nada o ar do mundo todo some. Inspira. Expira. Com esforço, ela luta alguns minutos e jura que aquilo vai passar. Não passa. Não passa e logo mais se junta com a vontade de chorar. Vai ficar tudo bem. Ela repete isso pra sí mesma. É só o peso das decisões. São só as mudanças necessárias. É a falta de um ar já conhecido. É falta de um ar que já passou. Inspira. Expira. Essa é a nova atmosfera. As crises dessa “asma sentimental” logo passarão. Ela sabe disso.